Quando se fala em “guerra dos chips”, não é força de expressão. Trata-se de uma disputa geopolítica real entre Estados Unidos e China pelo controle da cadeia global de semicondutores. Chips não são só peças eletrônicas. Eles definem quem lidera IA, cloud, data centers, 5G e defesa. Quem controla essa base, controla o ritmo da inovação.
Desde 2020, os EUA passaram a restringir exportações de tecnologias avançadas para a China. Em resposta, Pequim acelerou investimentos bilionários para ganhar autonomia. O resultado é um mercado mais tenso, fragmentado e politizado. E não, isso não fica restrito aos dois países. O impacto se espalha rápido.
Porque o Brasil está longe das fábricas, mas no meio da cadeia de consumo. Data centers, ambientes de infraestrutura crítica e projetos de nuvem dependem diretamente de CPUs, GPUs, switches e storage. Boa parte vem de fornecedores globais afetados por sanções, cotas ou atrasos logísticos.
Em 2024 e 2025, gestores de TI no Brasil sentiram isso na prática. Prazos mais longos, preços menos previsíveis e dificuldade para fechar projetos no timing ideal. Segundo a Gartner, o mercado global de semicondutores cresceu cerca de 21% em 2025, puxado por IA, mas com oferta ainda concentrada em poucos players.
E aí entra um ponto que o Brasil conhece bem, mesmo que nem sempre goste de admitir. A dependência tecnológica externa não é conjuntural, é estrutural. O país nunca consolidou uma indústria nacional de semicondutores capaz de sustentar o próprio ecossistema de inovação. Houve tentativas, algumas relevantes, como o Ceitec, e iniciativas governamentais ao longo dos anos. Mas nada que mudasse o jogo de forma consistente.
Na prática, isso empurra o Brasil para a importação de componentes críticos, justamente os mais sensíveis a sanções, disputas comerciais e gargalos logísticos. Não são só chips. Baterias, sensores, controladores e outros insumos seguem altamente concentrados em territórios asiáticos. Quando a tensão global sobe, essa concentração cobra seu preço.
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Muda o jogo de planejamento. Antes, a discussão era performance e custo. Agora entra um terceiro fator, disponibilidade estratégica. Não basta escolher o melhor hardware. É preciso garantir que ele chegue, seja escalável e não vire gargalo no meio do caminho.
Projetos de expansão de data center próprios ficaram mais sensíveis. Um atraso de semanas em um lote de servidores pode comprometer roadmap inteiro.
Como a IA entrou no centro dessa história toda? Aqui a coisa esquenta. Treinar e rodar modelos de IA exige GPUs avançadas, principalmente da NVIDIA. Essas GPUs estão no centro das restrições americanas. Em 2025, a própria NVIDIA reconheceu que parte da sua receita deixou de vir da China por causa das sanções, enquanto a demanda global continuou explodindo.
Resultado? Escassez seletiva. Nem todo chip falta. Faltam justamente os mais estratégicos. Para quem opera infraestrutura no Brasil, isso significa competir globalmente por recursos físicos. Não é exagero, é matemática de mercado.
Não dá para fabricar chips de ponta aqui no curto prazo. Mas dá para mudar a forma de consumir infraestrutura. E é aqui que muita empresa começa a rever decisões antigas.
Modelos mais flexíveis, como colocation e cloud privada gerenciada, ganham força porque diluem risco. O provedor assume parte da complexidade de aquisição, estoque, substituição e escalabilidade. Para o cliente, sobra previsibilidade. Em tempos instáveis, previsibilidade vale ouro.
Nos últimos anos, falou-se muito em repatriação de dados. Faz sentido em vários cenários. Mas a guerra dos chips adiciona uma camada nova. Muitos gestores estão recalculando essa conta. Não é voltar ou ficar. É onde faz mais sentido operar cada parte da carga. Infraestrutura virou decisão estratégica, não só técnica.
Muda o tom. TI deixa de falar só de uptime e começa a falar de continuidade operacional em cenário global instável. A guerra dos chips virou argumento de board, não só de sala técnica.
Segundo a McKinsey, empresas que diversificaram fornecedores e modelos de infraestrutura após 2022 tiveram menos impacto financeiro com disrupções globais. Não é teoria. É sobrevivência operacional.
EUA e China seguem investindo pesado em autonomia tecnológica. A União Europeia entrou na corrida com o European Chips Act. O mundo está se reorganizando em blocos.
Para quem cuida de infraestrutura no Brasil, a lição é clara. Planejar como se o mercado fosse estável virou risco. Pensar em flexibilidade, parceiros sólidos e arquitetura adaptável deixou de ser discurso bonito. Virou prática diária.
E talvez essa seja a principal provocação. A guerra dos chips não é sobre silício. É sobre como cada empresa escolhe sustentar sua operação quando o mundo fica menos previsível. Quem entende isso antes, sofre menos depois.
Quando o cenário global fica instável, a infraestrutura deixa de ser apenas um tema técnico e passa a exigir decisões mais conscientes. É exatamente nesse ponto que a EVEO, maior empresa de servidores dedicados e referência em private cloud, costuma entrar. Não como resposta mágica, mas como parceira para ajudar empresas a navegar esse contexto com mais controle.
Ao longo dos últimos anos, a EVEO construiu soluções em colocation, cloud privada e ambientes dedicados pensando justamente em cenários onde previsibilidade importa tanto quanto performance. A lógica é simples. Reduzir a exposição direta a gargalos de hardware, ganhar flexibilidade para crescer e manter o controle sobre dados e operação.
Em um mundo onde chips viraram ativo geopolítico, ter uma infraestrutura que não depende de apostas rígidas faz diferença. A EVEO atua nesse meio-termo: infraestrutura sob medida, gestão especializada e espaço para adaptar a estratégia conforme o jogo muda.